17 de abril de 2009

Técnicas e Procedimentos em Auditoria Contábil

Auditoria é função organizacional de revisão, avaliação e emissão de opinião através de Parecer quanto ao ciclo administrativo (planejar, executar e controlar) em todos os ambientes da sociedade, tratando-se do passado e futuro.

1. CONCEITUAÇÃO E DISPOSIÇÕES GERAIS

1.2. Objetivo

Basicamente proporcionar credibilidade nas informações divulgadas nos balanços pelas empresas em geral.

1.3. Conceito

Confrontação dos elementos da contabilidade com as operações da empresa, assegurando a credibilidade das informações, a integridade do patrimônio e minimização dos riscos fiscais e societários.

1.3.1. Disposições Gerais

A auditoria das demonstrações contábeis constitui o conjunto de procedimentos técnicos que tem por objetivo a emissão de parecer sobre a sua adequação, consoante os Princípios Fundamentais de Contabilidade e as Normas Brasileiras de Contabilidade e, no que for pertinente, a legislação específica.

1.4. Nova Visão

Deixar de ser uma atividade somente investigadora, para ser mais participativa no desempenho empresarial e gestão de negócios, sendo uma ferramenta de apoio em toda a cadeia produtiva, financeira, contábil e de processos, mudando o conceito de gasto na contratação desses serviços para investimento .

1.5. Tipos de Auditoria

- Auditoria Independente ou Externa: Exame das Demonstrações Contábeis ou de alguma área específica ou trabalho especial;
- Auditoria Interna ou Operacional: Exame dos Controles Internos e avaliação da eficiência e eficácia da gestão;
- Auditoria da Fazenda: Observância e Cumprimento dos preceitos legais vigentes para apuração e recolhimento dos diversos tributos.

1.6. Qualidade na Auditoria

• Comunicação e Atendimento: A comunicação é vital, internamente com colegas e principalmente externamente com os clientes. O atendimento requer uma combinação ideal de apresentação, comunicação e conduta.
• Fatos e Comprovação: Simples opinião não significa nada sem sustentação.
• Mensuração do Grau do Problema: Todo o apontamento de auditoria tem que necessariamente ser valorizado economicamente e financeiramente para se ter a real necessidade de confirmação em relatório sobre seus reflexos.
• Avaliação Permanente: O que é bom hoje, pode não ser bom amanhã;
• Treinamento:
- A auditoria deve ser executada e o relatório preparado por pessoas que possuam treinamento adequado com experiência e competência;
- Todo o profissional deve buscar constantemente o aperfeiçoamento em sua área de atuação, somente desta forma conseguirá êxito;
- Isto é pessoal e intransferível e na auditoria não seria diferente.

1.7. A Importância da Auditoria

- Redução da probabilidade de opiniões inadequadas e sugestões que possam por em risco às organizações;
- Perante o fisco a auditoria deve ser vista como uma aliada;
- Todas as organizações que possuem auditoria, acabam sendo apreciadas em suas relações com o mercado com mais segurança, haja visto que os auditores acabam sendo avalistas das informações destas organizações.

1.8. Necessidades do Cliente

• Custo / Benefício / Obrigatoriedade;
• Segurança do Patrimônio;
• Credibilidade das Informações;
• Minimização de Riscos Fiscais, Societários e do Negócio;
• Melhoria Contínua;
• Sistemas gerenciais em evolução;
• Agilidade das Ações;
• Diferenciação no Mercado.

1.9. A Auditoria e suas Relações com o Mercado

- Credibilidade das DC, informes e resultados que deveria fornecer aos seus usuários;
- Forma burocrática e padronizada, atendendo apenas as legislações societária e fiscal;
- As informações das peças contábeis, apresentadas ao público em geral, deveriam primar por detalhes e sofisticações no sentido de influenciar estrategicamente qualquer decisão;
- Oportunidade de apresentação da empresa perante a sociedade;
- Planejamento e Programas;
- Papéis de Trabalho;
- Critérios de referenciação - Ex: Exames e testes com cruzamentos das líderes geral, de áreas e anexos;
Relatório de Auditoria de Encerramento do Exercício Social e Relatórios Intermediarios:
- Contábeis e Notas Explicativas;
- Parecer da Auditoria.

1.10. Perfil do Auditor Contábil

Auditor é o profissional que, possuindo competência legal como contador e conhecimentos em áreas correlatas, como tributos, modernas técnicas empresariais e outras, aliadas aos conhecimentos de normas e procedimentos de auditoria, procurará obter elementos de satisfação que levem a fundamentar sua opinião sobre o objeto de estudo (Sistemas de Controles Internos, DC, Processos Operacionais, Gestão etc...)

2. NORMAS DE AUDITORIA INDEPENDENTE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

2.1. Procedimentos de Auditoria

Os procedimentos de auditoria são o conjunto de técnicas que permitem ao auditor obter evidências ou provas suficientes e adequadas para fundamentar sua opinião sobre as demonstrações contábeis auditadas e abrangem testes de observância e testes substantivos.
• Contagem Física – Procedimento utilizado para as contas do ativo e consiste em identificar fisicamente o bem declarado nas DC:
- Dinheiro em Caixa - Estoques
• Confirmação com Terceiros – Confirmar bens de propriedade da empresa em poder de terceiros, direitos a receber e obrigações:
- Recursos em c/c bancária
- Estoques em poder de terceiros
- Contas a pagar diversas
• Conferência de Cálculos – Efetua-se cálculos em todo o processo de elaboração das DC, um erro ocasiona informações incorretas nas DC:
- Despesas antecipadas, depreciação;
• Inspeção de Documentos – Examina-se os documentos internos e externos no objetivo de constatar a veracidade dos valores:
- Registro de empregados, apólices de seguro;
- NF, faturas e duplicatas de fornecedores.

2.2. Documentação da Auditoria

O auditor deve documentar, através de papéis de trabalho, todos os elementos significativos dos exames realizados e que evidenciam ter sido a auditoria executada de acordo com as normas aplicáveis.

2.3. Papéis de Trabalho

Os papéis de trabalho são o conjunto de documentos e apontamentos com informações e provas coligidas pelo auditor, preparados de forma manual, por meios eletrônicos ou por outros meios, que constituem a evidência do trabalho executado e o fundamento de sua opinião.

PROGRAMA DE AUDITORIA

Objetivos:
- Verificar o cálculo da depreciação e correção monetária se for o caso;
- Verificar a existência física e controles individuais;
- Verificar se está livre de restrição de uso, garantia ou penhora;

Procedimentos:
1. Solicitar o Relatório Auxiliar e Mapa Resumo, fazer o cálculo da depreciação/amortização e exaustão, quando for o caso, do período e confrontar com o razão contábil.
2. Solicitar os registros individuais dos bens e confrontar com o relatório global existente.
3. Verificar fisicamente, através de amostragem, os itens que compõem o Imobilizado, constatando também se o procedimento de emplaquetamento está correto.

2.4. Fraude e Erro

Fraude, o ato intencional de omissão ou manipulação de transações, adulteração de documentos, registros e demonstrações contábeis.
Erro, o ato não intencional resultante de omissão, desatenção ou má interpretação de fatos na elaboração de registros e demonstrações contábeis.

2.5. Planejamento da Auditoria

O auditor deve planejar seu trabalho consoante às Normas Profissionais do Auditor Independente, e de acordo com os prazos e demais compromissos contratualmente assumidos com as organizações.
O planejamento pressupõe adequado nível de conhecimento sobre as atividades, os fatores econômicos, legislação aplicável e as práticas operacionais da entidade, e o nível geral de competência de sua administração.

Para o auditor adquirir conhecimentos sobre a empresa auditada ele deve estudar, principalmente, as seguintes áreas da empresa:
• Financeira;
• Contábil;
• Orçamentária;
• Pessoal;
• Fiscal e Legal;
• Vendas;
• Suprimentos.

2.6. Relevância

Os exames de auditoria devem ser planejados e executados na expectativa de que os eventos relevantes relacionados com as demonstrações contábeis sejam identificados, devendo ser considerada pelo auditor quando:

- Determinar a natureza, extensão dos procedimentos de auditoria;
- Avaliar o efeito das distorções sobre os saldos;
- Determinar a adequação da apresentação e da divulgação e informação contábil.

2.7. Risco de Auditoria

Risco de auditoria é a possibilidade de o auditor vir a emitir uma opinião tecnicamente inadequada sobre demonstrações contábeis significativamente incorretas.

2.8. Estudo e Avaliação do Sistema Contábil e Controles Internos

O sistema contábil e de controles internos compreende o plano de organização e o conjunto integrado de métodos e procedimentos adotados pela entidade na proteção do seu patrimônio, promoção da confiabilidade e tempestividade dos seus registros e demonstrações contábeis, e da sua eficácia operacional.

Os objetivos do Controle Interno são:
• Obtenção de Informação adequada;
• Estimulação do respeito e da obediência às políticas da administração;
• Proteção dos ativos;
• Promoção da eficiência e eficácia operacional.

Classificação dos Controles Internos:

- Contábeis – Relacionados com a proteção dos ativos e validade dos registros contábeis;
- Administrativos – Plano de organização e todos os métodos e procedimentos relacionados com a eficiência operacional, bem como respeito e a obediência às políticas administrativas.

2.9. Aplicação dos Procedimentos de Auditoria

A aplicação dos procedimentos de auditoria deve ser realizada, em razão da complexidade e volume das operações, por meio de provas seletivas, testes e amostragens, cabendo ao auditor, com base na análise de riscos de auditoria e outros elementos de que dispuser, determinar a amplitude dos exames necessários à obtenção dos elementos de convicção que sejam válidos para o todo.

2.10. Continuidade Normal das Atividades da Entidade

A continuidade normal das atividades da entidade deve merecer especial atenção do auditor, quando do planejamento dos seus trabalhos, ao analisar os riscos de auditoria, e deve ser complementada quando da execução de seus exames. Podem ser de ordem econômica, financeira, contábil/fiscal, trabalhista, sócio política, etc.

2.11. Amostragem

Ao determinar a extensão de um teste de auditoria ou método de seleção de itens a serem testados, o auditor pode empregar técnicas de amostragem. A amostra selecionada pelo auditor deve ter uma relação direta com o volume de transações realizadas pela entidade na área ou transação objeto do exame, como também com os efeitos na posição patrimonial e financeira da entidade, e o resultado por ela obtido no período.

Na determinação da amostra o auditor deve levar em consideração os seguintes fatores:

- População objeto da amostra;
- Estratificação da amostra;
- Tamanho da amostra;
- Risco da amostragem.

2.12. Processamento Eletrônico de Dados - PED

O grau mínimo de conhecimento que o auditor deve ter para planejar, dirigir, supervisionar e revisar o trabalho de auditoria desenvolvido em ambiente de PED compreende:

- Conhecer suficientemente o sistema de contabilidade e de controle interno afetado pelo ambiente de PED;
- Determinar o efeito que o ambiente de PED possa ter sobre a avaliação de risco global da entidade e em nível de saldos de contas e de transações;
- Estabelecer o nível de provas de controle e de procedimentos capaz de assegurar a confiabilidade dos CI e das DC.

2.13. Estimativas Contábeis

As estimativas contábeis são de responsabilidade da entidade e se baseiam em fatores objetivos e subjetivos, requerendo o seu julgamento na determinação do valor adequado a ser registrado nas demonstrações contábeis.
O auditor deve se assegurar da razoabilidade das estimativas, individualmente consideradas, quando estas forem relevantes. Tal procedimento inclui além da análise da fundamentação matemático-estatística dos procedimentos utilizados pela entidade na quantificação das estimativas, a coerência destas com o comportamento da entidade em períodos anteriores , as práticas correntes em entidades semelhantes, os planos futuros da entidade, a conjuntura econômica e suas projeções.

2.14. Transações com Partes Relacionadas

O auditor deve obter evidências suficientes para identificar partes relacionadas na fase de planejamento, possibilitando detectar, no decorrer dos trabalhos, quaisquer transações relevantes que as envolvam.

2.15. Transações e Eventos Subsequentes

O auditor deve aplicar procedimentos específicos em relação aos eventos ocorridos entre as datas do balanço e a do seu parecer, que possam demandar ajustes nas demonstrações contábeis ou a divulgação de informações nas notas explicativas.

O auditor deverá considerar três situações de eventos subsequentes:

- Os ocorridos entre a data do término do exercício social e a data da emissão do parecer;
- Os ocorridos depois do término do trabalho de campo, com a consequente emissão do parecer e a data da divulgação das DC;
- Os ocorridos após a divulgação das Demonstrações Contábeis.

2.16. Carta de Responsabilidade da Administração

O auditor deve obter carta que evidencie a responsabilidade da administração quanto às informações e dados e à preparação e apresentação das demonstrações contábeis submetidas aos exames de auditoria. A carta deve ser emitida com a mesma data do perecer do auditor sobre as demonstrações contábeis a que ela se refere.

2.17. Contingências

O auditor deve adotar procedimentos para assegurar-se que todas as contingências passivas relevantes, decorrentes de processos judiciais, reivindicações e reclamações trabalhistas, bem como de lançamentos de tributos em disputa, foram identificadas e consideradas pela administração da entidade na elaboração das demonstrações contábeis.

2.18. Parecer dos Auditores Independentes

O “Parecer dos Auditores Independentes”, ou “Parecer do Auditor Independente”, é o documento mediante o qual o auditor expressa sua opinião, de forma clara e objetiva, sobre as demonstrações contábeis nele indicadas.

O parecer classifica-se, segundo a natureza da opinião que contém, em:
• Parecer sem ressalva;
• Parecer com ressalva;
• Parecer adverso; e
• Parecer com abstenção de opinião.

3. NORMAS PROFISSIONAIS DE AUDITOR INDEPENDENTE

3.1. Competência Técnico-Profissional

O contador, na função de auditor independente, deve manter seu nível de competência profissional pelo conhecimento atualizado dos Princípios Fundamentais de Contabilidade e das Normas Brasileiras de Contabilidade, das técnicas contábeis, especialmente na área de auditoria, da legislação inerente à profissão, dos conceitos e técnicas administrativas e da legislação específica aplicável à entidade auditada.

3.2. Independência

O auditor deve ser independente, não podendo deixar-se influenciar por fatores estranhos, por preconceitos ou quaisquer outros elementos materiais ou afetivos que resultem perda, efetiva ou aparente, de sua independência.

3.3. Responsabilidade do Auditor na Execução dos Trabalhos

O auditor deve aplicar o máximo de cuidado e zelo na realização dos trabalhos e na exposição de suas conclusões.
Ao opinar sobre as demonstrações contábeis o auditor deve ser imparcial.

3.4. Honorários

O auditor deve estabelecer e documentar seus honorários mediante avaliação dos serviços, considerando os seguintes fatores:

- Relevância;
- Número de horas estimadas;
- Qualificação técnica;
- Peculiaridade de ser cliente eventual;
- Lugar em que serão prestados os serviços.

3.5. Guarda da Documentação

O auditor, para fins de fiscalização do exercício profissional, deve conservar a boa guarda, pelo prazo de 5 ( cinco ) anos, a partir da data da emissão de seu parecer, toda a documentação, papéis de trabalho, relatórios e pareceres relacionados com os serviços realizados.

3.6. Sigilo

O sigilo profissional deve ser observado nas seguintes circunstâncias:

- na relação entre o auditor e a entidade auditada;
- na relação entre os auditores;
- na relação entre os auditores e os organismos reguladores e fiscalizadores; e
- na relação entre o auditor e demais terceiros.

3.7. Responsabilidade pela Utilização do Trabalho de Especialistas

O auditor pode utilizar especialistas legalmente habilitados como forma de contribuir para à realização de seu trabalho, mantendo integral a sua responsabilidade profissional.


0 Comentários:

Postar um comentário

Seus comentários e dúvidas são muito importantes para blog. Eles poderão esclarecer questões de outros usuários. Obrigado e volte sempre.

©2009-2010 fundofixo.net
PageRank